ACALANTO - Janete Cortez

Aqui é meu cantinho, o espaço infinito onde me faço pássaro e vôo muito além das divisórias dos meus olhos. Para os que me visitam, meu agradecimento e meu carinho. “Criai ramos. Criai flores e frutos. Hão de vos pesar na vindima.” (Exupéry)

23/3/09

RETRATO

Sou aquela que te espreita
entre as tênues fendas do passado.
Aquela que conhece o gosto doce e acre
do amor e seus mistérios insondáveis.
Sou aquela que te enlaça
e acarlnha tua alma enquanto dormes.
Aquela que colheu todas as rosas
para enfeitar tua chegada, teu sorriso.
Sou o calor e o frio do tempo
condensando memórias e sonhos.
Aquela que mistura na ampulheta
a areia do antes e do agora.
Sou espera e sou resposta.
E estarei para sempre nas ondas
e nas marés sepultada.

Janete Cortez

 

Les Nympheas - Monet

criado por jan.cortez    14:42 — Arquivado em: Sem categoria

4/12/08

MINHA ALMA PEQUENA

Debruço sobre minhas penas,
minhas mágoas, meus enganos.
Tento soltar-lhes os laços,
o peso, as algemas,
enxugar-lhes as lágrimas que correm
e corroem nervos de aço.
Então, furto-me um instante,
permito-me estar entre as nuvens e as estrelas,
deixo-me conduzir pelas asas de um anjo.
Encontro-me só e única
no imenso Universo Divino.
Avisto e acolho minha alma pequena,
beijo-a ternamente,
afago suas faces eternas,
perdoo seus erros e abraço seus sonhos.
Encontro meu norte, meu centro.
Todas as minhas vidas ali
debruçadas sobre meu colo,
todas elas sedentas do meu toque,
meu abraço amigo, meu carinho.
Carrego, então, minha alma pequena
sob o luar e as estrelas,
deixo que ela fale seus poemas,
aponte as nebulosas,
desenhe no vento paisagens e flores.
Percebo-a frágil, sonhadora e bela.
Talvez pudesse contar-me suas histórias,
revelar-me segredos,
riscar na terra meus rastros.
Mas como criança pequena e frágil
ela enlaça meu pescoço e sorri,
olhos nos olhos, ternamente.
Permite que eu a ame como a um filho
e que eu esteja em paz com Deus.

Janete Cortez - 28/11/08

Monet Parasal

criado por jan.cortez    10:14 — Arquivado em: Sem categoria

21/11/08

POEMA, QUASE UM CANTO DE DOR

Hoje, desperta e livre das névoas 
que encobrem meus sonhos de ternura
acalento minha alma criança
minha realidade, minha esperança.
Hoje, contra todas as expectativas
e apesar de todas as dores,
acolho promessas e auroras,
abraço minha tristeza e a deixo partir.
Hoje, sobre minhas verdades mais castas
deixo que caiam minhas lágrimas,
lavo minha espera, liberto minha angústia.
Hoje, entre as flores que enfeitam meu jardim
encontro teu rosto, teu riso branco, teu canto
e aquiesço aos espinhos que sangram
meu riso sofrido, meu canto de amor.
Deixo que partas mansamente
- na verdade, nunca estivestes tão perto,
nunca afagastes com tuas leves mãos
minhas asas delirantes e livres. -
Hoje, ainda assim e se assim o quisesses,
poderia mostrar-te a vida entre as nuvens,
revelar-te paisagens que os montes ocultam,
horizontes finitos acariciando a noite nascente
e aquela estrela distante e bela
que guarda teu sono na madrugada que chega
e se repete, infinitamente.
Hoje, diante dos meus sonhos desfeitos
permito que partas e te confluas
em teus mares, tuas conchas, teu destino
e te reconheças além de ti e de tuas mãos
em tua alma peregrina e livre,
amante que foste entre pétalas de róseas rosas.
Hoje, quando me faço esta e não outra,
peregrina do teu canto,
andarilha em noites enluaradas e frias
deixo que voes para longe de minh’alma
e te agradeço a ilusão e a ternura
que acalentei e acariciei, um dia.
Hoje, meus olhos molhados te espreitam
enquanto te afastas docemente
destas mãos que tanto esperaram por ti.
Hoje, permito-me a solidão.

Janete Cortez

 

criado por jan.cortez    8:10 — Arquivado em: Sem categoria

5/11/08

ESPERANÇA

Minha esperança redobra.

recobra forças e cores

quando sorris ternamente,

quando teu olhar pousa no meu

como um pássaro morno e livre.

E eu queria que te aninhasses

em meus braços,

que me enlaçasses ternamente.

Sopraria em teu ouvido meu tempo,

te revelaria meus sonhos e segredos,

te envolveria com meu manto de amor.

Então, entenderias meu canto,

meu riso doído, meu pranto de luz..

Saberias e amarias quem sou.

Janete Cortez

 

 

 

 

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4/11/08

SOLTANDO AS AMARRAS

Solto as amarras…

Meu barco desliza tranquilo

no espelho das águas mansas.

Um rio é um corredor de águas

margeado por paisagens mutantes.

E eu me entrego a esse frescor

de árvores gigantes,

integro os sons da vida pulsante

ao meu ser antigo.

E aceito ser levada mansamente

pelas águas desse longo rio.

Cumpro o meu destino.

Aceito os mistérios do tempo

e as obras de Deus.

 

Janete Cortez

 

 

 

criado por jan.cortez    8:38 — Arquivado em: Sem categoria

1/11/08

IMENSA ESPERA

Amo a cada dia a essência que te anima,
o infinito em que te mesclas suavemente
e teu silêncio cravado de mistérios e segredos.
Amo tuas ondas, teus mares, teus luares,
teu canto aberto e livre, tua doçura
e essa tua ternura que não deixas revelar.
Amo tuas vontades, tuas verdades,
teus dias ensolarados e esse teu sorriso
onde ocultas o pranto incerto e a solidão.
Amo-te mais quanto mais me bastas,
quanto mais me calas o grito que não quer calar.
Amo-te acima das coerências e incoerências,
antes e depois de cada pôr-do-sol.
E se me anulo e me entristeço, se me perco
entre o fim e o começo dos meus sonhos
deixo que te percas e te confundas para sempre
nas águas densas dessa imensa espera.

Janete Cortez

criado por jan.cortez    23:24 — Arquivado em: Sem categoria

5/10/08

SER PÁSSARO

Ser pássaro.

E voar em olhos fixos

asas tenras, livres penas.

Ser pássaro.

E bailar pelo ar denso

esculpindo rotas

modificando a paisagem

do olhar que o espreita

e que sonha um dia

ser pássaro.

Janete Cortez  -  05/10/09

criado por jan.cortez    17:48 — Arquivado em: Sem categoria

3/9/08

TEU RUMO

Para Thiago Antunes

Nas letras da tela encontro teu rumo
teu riso, sorriso, tua canção
descubro sinais, luzes astrais,
deixo que fale minha emoção.

Onde morava tua alma clara?
Onde teu canto, teu manto de paz?
Encontro tesouros que o tempo mesclara
entre tênue nuvem que não se desfaz.

Teus passos deixaram marcas no espaço,
espalharam rastros na terra, nos astros
e eu te encontrei…
Entre tantas rotas,
entre tons e notas
em campos floridos onde passei.

Onde estava teu doce canto?
Onde teus ramos, teus rumos, enfim?
Com linhas de névoa preparo-te um manto
e deixo uma estrela guiá-lo por mim…

Janete Cortez   -  03/09/2008

 

 

 

 

criado por jan.cortez    13:09 — Arquivado em: Sem categoria

20/7/08

PEITO CALADO

Penso-te agora
noite que chega
sonho que acorda
nuvem deserta
estrela morta.
Penso-te segredos
escala de medos
rios, correntes
risos e acenos.
Sou esta dor
sou este amor
sofro e calo.
Em teus desatinos
o meu desafio
de mostrar-te ternura
eterna doçura
do beijo
desejo
jamais alcançado.
Penso-te noite
açoites
no peito calado
.

 

Janete Cortez- 20/08/07

 

 

criado por jan.cortez    1:25 — Arquivado em: Sem categoria

SOU

Sou a soma das minhas cores,
Das minhas dores, dos meus amores.
A soma dos sóis de todos os tempos,
Do luar definitivo, doce e lento,
E das estrelas eternas e mutantes.
Sou a soma dos instantes
Dos meus anseios
Das minhas súplicas, dos meus sonhos,
Dos meus pesadelos.
A soma das minhas vidas…
Diversos papéis, corpos, imagens.
A soma de várias línguas e linguagens
E os perfumes todos de todas as flores.
Sou a soma de todas as cores
Reflexo de todas as paisagens
E águas todas de todos os mares.
Sou a procura desenfreada e louca
Por teus olhos, tuas mãos, tua boca.
E te pergunto do mundo onde estou:
Sabes amor, quem sou?


Janete Cortez

 

 

criado por jan.cortez    1:18 — Arquivado em: Sem categoria
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