4/2/10

Sem outras palavras
que não sejam estas
sopro em teus ouvidos
o pesar da minha espera.
Sem que te aflijas
por meus gestos de encanto,
sem que me vejas,
sem que me acolhas.
Certo eu desejaria
buscar-te os lábios
e me perderia em desejos
e acalmaria meu peito
que se agita e move
esse sonho inquebrantável,
companheiro das minhas
noites vazias
das minhas preces por ti.
Sem outras palavras
que não sejam de adeus,
grito teu nome no vento,
cerro meus olhos na noite
e perco-me na solidão.
Janete Cortez
23/3/09
Sou aquela que te espreita
entre as tênues fendas do passado.
Aquela que conhece o gosto doce e acre
do amor e seus mistérios insondáveis.
Sou aquela que te enlaça
e acarlnha tua alma enquanto dormes.
Aquela que colheu todas as rosas
para enfeitar tua chegada, teu sorriso.
Sou o calor e o frio do tempo
condensando memórias e sonhos.
Aquela que mistura na ampulheta
a areia do antes e do agora.
Sou espera e sou resposta.
E estarei para sempre nas ondas
e nas marés sepultada.
Janete Cortez

Les Nympheas - Monet
4/12/08
Debruço sobre minhas penas,
minhas mágoas, meus enganos.
Tento soltar-lhes os laços,
o peso, as algemas,
enxugar-lhes as lágrimas que correm
e corroem nervos de aço.
Então, furto-me um instante,
permito-me estar entre as nuvens e as estrelas,
deixo-me conduzir pelas asas de um anjo.
Encontro-me só e única
no imenso Universo Divino.
Avisto e acolho minha alma pequena,
beijo-a ternamente,
afago suas faces eternas,
perdoo seus erros e abraço seus sonhos.
Encontro meu norte, meu centro.
Todas as minhas vidas ali
debruçadas sobre meu colo,
todas elas sedentas do meu toque,
meu abraço amigo, meu carinho.
Carrego, então, minha alma pequena
sob o luar e as estrelas,
deixo que ela fale seus poemas,
aponte as nebulosas,
desenhe no vento paisagens e flores.
Percebo-a frágil, sonhadora e bela.
Talvez pudesse contar-me suas histórias,
revelar-me segredos,
riscar na terra meus rastros.
Mas como criança pequena e frágil
ela enlaça meu pescoço e sorri,
olhos nos olhos, ternamente.
Permite que eu a ame como a um filho
e que eu esteja em paz com Deus.
Janete Cortez - 28/11/08

Monet - Parasal
21/11/08
Hoje, desperta e livre das névoas
que encobrem meus sonhos de ternura
acalento minha alma criança
minha realidade, minha esperança.
Hoje, contra todas as expectativas
e apesar de todas as dores,
acolho promessas e auroras,
abraço minha tristeza e a deixo partir.
Hoje, sobre minhas verdades mais castas
deixo que caiam minhas lágrimas,
lavo minha espera, liberto minha angústia.
Hoje, entre as flores que enfeitam meu jardim
encontro teu rosto, teu riso branco, teu canto
e aquiesço aos espinhos que sangram
meu riso sofrido, meu canto de amor.
Deixo que partas mansamente
- na verdade, nunca estivestes tão perto,
nunca afagastes com tuas leves mãos
minhas asas delirantes e livres. -
Hoje, ainda assim e se assim o quisesses,
poderia mostrar-te a vida entre as nuvens,
revelar-te paisagens que os montes ocultam,
horizontes finitos acariciando a noite nascente
e aquela estrela distante e bela
que guarda teu sono na madrugada que chega
e se repete, infinitamente.
Hoje, diante dos meus sonhos desfeitos
permito que partas e te confluas
em teus mares, tuas conchas, teu destino
e te reconheças além de ti e de tuas mãos
em tua alma peregrina e livre,
amante que foste entre pétalas de róseas rosas.
Hoje, quando me faço esta e não outra,
peregrina do teu canto,
andarilha em noites enluaradas e frias
deixo que voes para longe de minh’alma
e te agradeço a ilusão e a ternura
que acalentei e acariciei, um dia.
Hoje, meus olhos molhados te espreitam
enquanto te afastas docemente
destas mãos que tanto esperaram por ti.
Hoje, permito-me a solidão.
Janete Cortez

5/11/08
Minha esperança redobra.
recobra forças e cores
quando sorris ternamente,
quando teu olhar pousa no meu
como um pássaro morno e livre.
E eu queria que te aninhasses
em meus braços,
que me enlaçasses ternamente.
Sopraria em teu ouvido meu tempo,
te revelaria meus sonhos e segredos,
te envolveria com meu manto de amor.
Então, entenderias meu canto,
meu riso doído, meu pranto de luz..
Saberias e amarias quem sou.
Janete Cortez

4/11/08
Solto as amarras…
Meu barco desliza tranquilo
no espelho das águas mansas.
Um rio é um corredor de águas
margeado por paisagens mutantes.
E eu me entrego a esse frescor
de árvores gigantes,
integro os sons da vida pulsante
ao meu ser antigo.
E aceito ser levada mansamente
pelas águas desse longo rio.
Cumpro o meu destino.
Aceito os mistérios do tempo
e as obras de Deus.
Janete Cortez

1/11/08
Amo a cada dia a essência que te anima,
o infinito em que te mesclas suavemente
e teu silêncio cravado de mistérios e segredos.
Amo tuas ondas, teus mares, teus luares,
teu canto aberto e livre, tua doçura
e essa tua ternura que não deixas revelar.
Amo tuas vontades, tuas verdades,
teus dias ensolarados e esse teu sorriso
onde ocultas o pranto incerto e a solidão.
Amo-te mais quanto mais me bastas,
quanto mais me calas o grito que não quer calar.
Amo-te acima das coerências e incoerências,
antes e depois de cada pôr-do-sol.
E se me anulo e me entristeço, se me perco
entre o fim e o começo dos meus sonhos
deixo que te percas e te confundas para sempre
nas águas densas dessa imensa espera.
Janete Cortez

5/10/08
Ser pássaro.
E voar em olhos fixos
asas tenras, livres penas.
Ser pássaro.
E bailar pelo ar denso
esculpindo rotas
modificando a paisagem
do olhar que o espreita
e que sonha um dia
ser pássaro.
Janete Cortez - 05/10/09

3/9/08
Para Thiago Antunes
Nas letras da tela encontro teu rumo
teu riso, sorriso, tua canção
descubro sinais, luzes astrais,
deixo que fale minha emoção.
Onde morava tua alma clara?
Onde teu canto, teu manto de paz?
Encontro tesouros que o tempo mesclara
entre tênue nuvem que não se desfaz.
Teus passos deixaram marcas no espaço,
espalharam rastros na terra, nos astros
e eu te encontrei…
Entre tantas rotas,
entre tons e notas
em campos floridos onde passei.
Onde estava teu doce canto?
Onde teus ramos, teus rumos, enfim?
Com linhas de névoa preparo-te um manto
e deixo uma estrela guiá-lo por mim…
Janete Cortez - 03/09/2008

20/7/08
Penso-te agora
noite que chega
sonho que acorda
nuvem deserta
estrela morta.
Penso-te segredos
escala de medos
rios, correntes
risos e acenos.
Sou esta dor
sou este amor
sofro e calo.
Em teus desatinos
o meu desafio
de mostrar-te ternura
eterna doçura
do beijo
desejo
jamais alcançado.
Penso-te noite
açoites
no peito calado.
Janete Cortez- 20/08/07
